DEFINIÇÃO DE AFRICANIDADE!

A expressão africanidades brasileiras refere-se às raízes da cultura brasileira que têm origem africana.

CARTA DE REPÚDIO AO DCE!

O Coletivo Pró-Cotas vem, por meio desta carta, esclarecer alguns pontos relacionados à pintura do muro do espaço do DCE

COTAS SIM!

Tratar os desiguais de forma igual, nesse sentido, pode gerar injustiças sociais. Numa sociedade que até mesmo dentre as escolas públicas há desigualdades...

O lado cruel do preconceito!

"A gente não deve esmorecer, deve ter persistência, porque na verdade a felicidade do negro é uma felicidade guerreira".

26 de janeiro de 2011

VÍDEO: Tributo a Martin Luther King



"Sim, sou um negro de cor
Meu irmão de minha cor
O que te peço é luta sim
Luta mais!
Que a luta está no fim...

Cada negro que for
Mais um negro virá
Para lutar
Com sangue ou não
Com uma canção
Também se luta irmão
Ouvir minha voz
Oh Yes!
Lutar por nós..."

22 de janeiro de 2011

NÃO COMEMOS BATATAS FRITAS BARATAS E NEM EUCALIPTO !!!

Referência Bibliográfica:
APPLE, Michael W. Consumindo o outro: branquidade, educação e batatas fritas baratas. In: COSTA, Marisa Vorraber (org.). Escola básica na virada do século: cultura, política e educação. São Paulo: Cortez, 1996. p.25-43.


A história abaixo foi contada por uma ex-aluna do autor Michael Apple, em uma viagem realizada pelo país asiático.


      " Ainda assim é crucial ouvir a história. Escutem-na.
    
          O governo da nação decidiu que a importação do capital estrangeiro é crítica para sua própria sobrevivência. Trazer americanos, alemães, britânicos, japoneses e outros investidores e fábricas claramente criará empregos, criará capital para investimentos e tornará a nação capaz de ingressar rapidamente no século XXI. (trata-se, evidentemente, de uma "conversa" dos grupos dominantes, mas vamos supor que eles acreditem, realmente, nisso). Um dos modos pelos quais o governo, dominado pelos militares, planejou fazer isso constituiu em colocar parte de seus esforços de recrutamento no agri-business. Na busca deste objetivo, o governo ofereceu vastas extensões de terra aos interesses internacionais na área de agri-business, a muito baixo custo. De particular importância para a planície que atravessávamos era o fato de muito desta terra havia sido oferecida a um fornecedor de uma grande empresa americana de restaurantes de fast food pra plantar batatas, para fazer as fritas do restaurante, uma das marcas registradas de seu grande sucesso por todo o mundo. 
          A empresa estava ansiosa para aproveitar a oportunidade de transferir parte de sua produção de batatas dos Estados Unidos para a Ásia. Como muitos dos trabalhadores rurais dos Estados Unidos estão agora sindicalizados e estão (corretamente) exigindo salários razoáveis, e uma vez que o governo daquela nação asiática desaprova oficialmente sindicatos de qualquer tipo, o custo de plantar batatas seria bem menor. Além disso, a terra naquela planície era perfeita para o uso de tecnologias recentemente desenvolvidas pra o plantio e a colheita de batatas com um número consideravelmente menor de trabalhadores. Máquinas substituiriam seres humanos. Finalmente, o governo estava muito menos preocupado com leis sobre proteção do meio ambiente. Tudo considerado, este era um bom negócio para o emprego do capital. 
          Obviamente, pessoas viviam em parte desta terra e cultivavam para seu próprio sustento e para vender o excedente , depois que suas próprias necessidades - relativamente mínimas - eram satisfeitas. Isto não deteve nem os interessados no agri-business nem o governo. Afinal, o povo poderia ser removido para dar lugar ao "progresso". 
          E, afinal, os camponeses ao longo daquelas planícies não tinha realmente os documentos de posse daquela terra (eles haviam vivido ali talvez por centenas de anos, bem antes da invenção dos bancos, das hipotecas e das escrituras - sem papel não há propriedade). Não seria difícil remover o povo da planície para outras áreas para deixá-la "livre" para a produção intensiva de batatas e para "criar empregos", retirando sustento de milhares e milhares de pequenos agricultores, na região. Escutei com redobrada atenção, à medida que o resto da história ia se desdobrando, e que passávamos por campos (com as placas da referida empresa) e vilas abandonadas. O povo, cuja terra havia sido tomada por tão pouco, mudara-se, naturalmente.  Assim como em tantos outros lugares similares, nos países que os grupos dominantes chamam de Terceiro Mundo, eles migraram para cidade. Tomaram suas magras posses e se mudaram para as favelas, sempre em expansão dentro e ao redor do único lugar que oferecia alguma esperança de encontrar suficiente trabalho remunerado (se todos, incluindo as crianças trabalhassem) para que pudessem sobreviver. 
          O governo e os segmentos importantes da elite empresarial oficialmente desencorajavam isto, contratando, por vezes, bandidos para queimar as cidades miseráveis, outras vezes, mantendo as condições tão adversas que ninguém "gostaria" de morar ali. Mas, ainda assim, os despossuídos vinham, às dezenas de milhares. 
          Afinal as pessoas pobres não são irracionais. A perda de terra arável tinha que ser compensada de alguma forma e se isso implicava ser empilhado em lugares que eram infernais, bem, quais eram as outras alternativas? Havia fábricas, sendo construídas nas e em torno das cidades, que pagavam salários incrivelmente baixos (algumas vezes menos do que o suficiente para comprar o alimento necessário para repor as calorias gastas pelos/as trabalhadores/as no processo de produção), mas ao menos poderia haver trabalho remunerado, se o sujeito tivesse sorte. 
          Assim, máquinas gigantes colhiam as batatas e as pessoas se transferiam para as cidades e o capital internacional ficou feliz. Não é uma bonita história.  Mas o que ela tem a ver com a educação? Minha amiga continuou minha educação. 
          O governo dominado pelos militares deu a todas essas grandes empresas internacionais vinte anos de isenção de impostos para facilitar as condições de sua vinda para o país. Assim, há hoje muito pouco dinheiro para fornecer saúde, moradia, suprimento de água, eletricidade, serviço de esgoto e escolas para milhares e milhares de pessoas que buscaram o seu futuro na cidade ou foram literalmente empurrados para ela. O mecanismo para não oferecer esses serviços era realmente inteligente. Tomemos a falta de qualquer instituição de educação formal como um exemplo. Para que o governo construísse escolas deveria ser mostrado que havia uma "legítima" necessidade para a realização desse gasto. Estatísticas tinham que ser produzidas numa forma que fossem oficialmente aceita. Isto poderia ser feito apenas através da determinação oficial de números de nascimentos registrados. Entretanto, o próprio processo de registro oficial tornava impossível a milhares de crianças serem reconhecidas como realmente existentes. 
          Para realizar a matrícula na escola, a mãe/o pai tinha que registrar o nascimento da criança no hospital local ou nalguma instituição do governo - nenhum dos quais existiam nessa área de favelas. E mesmo que tal instituição pudesse ser encontrada, o governo oficialmente desencorajava as pessoas vindas de fora da região da cidade de mudar-se para ali. Freqüentemente, recusava-se a reconhecer a legitimidade da mudança, como uma maneira de impedir os/as agricultores/as desalojados/as de virem para as áreas urbanas, aumentando, assim, a população. Nascimentos de pessoas que não tinham o direito "legítimo" de ali estar não contavam, de fato, como nascimentos. Esta é uma brilhante estratégia pela qual o Estado cria categorias de legitimação que definem problemas sociais de modos muito interessantes (veja, p. ex., Curtis, 1992 e Fraser, 1989). Foucault teria ficado orgulhoso, estou certo.
          Assim, não haviam escolas, nem professores, nem hospitais, nem infra-estrutura. As causas profundas dessa situação não estão na situação imediata. Elas só podem ser esclarecidas se nos centrarmos na cadeia de formação do capital (internacional e nacionalmente), nas necessidades contraditórias do Estado, nas relações de classe e nas relações entre campo e cidade que organizam e desorganizam aquele país. 
          Já fazia um bom tempo que minha amiga e eu estávamos rodando. Eu me esquecera do calor. A frase final da narrativa não é nada bombástica. Foi dita devagar e calmamente, dita de um modo que a tornou ainda mais imperiosa. 'Michael, esses campos são a razão pela qual não existem escolas na minha cidade. Não há escolas porque há tantas pessoas que gostam de batatas fritas baratas' ". (APPLE, 1996, p.27-31).  



          Essa realidade não é isolada, no Brasil essas empresas transnacionais também matam pessoas inocentes, machucam fisicamente e mentalmente os trabalhadores rurais, mulheres e crianças.
          Ao ler esse capítulo me lembrei no vídeo "Não comemos eucalipto", assim como a história acima não é ficção, o vídeo abaixo também não é...... 
          Essa é  a realidade brasileira que a mídia esconde:




  



21 de janeiro de 2011

VÍDEO: Coletivo DigitalDubs - "Selvagem"


Selvagem
Os Paralamas do Sucesso

A polícia apresenta suas armas
Escudos transparentes, cassetetes
Capacetes reluzentes
E a determinação de manter tudo
Em seu lugar
O governo apresenta suas armas
Discurso reticente, novidade inconsistente
E a liberdade cai por terra
Aos pés de um filme de Godard
A cidade apresenta suas armas
Meninos nos sinais, mendigos pelos cantos
E o espanto está nos olhos de quem vê
O grande monstro a se criar
Os negros apresentam suas armas
As costas marcadas, as mãos calejadas
E a esperteza que só tem quem tá
Cansado de apanhar

Para conhecer um pouco mais sobre o coletivo Digitaldubs acesse o site: digitaldubs.com.br

20 de janeiro de 2011

Educafro abre processo contra UFRJ e MEC e consegue ampliar o prazo de inscrição para o Sisu (Sistema de Seleção Unificada).



      A UFRJ cometeu uma atentado à CONSTITUIÇÃO FEDERAL, publicando em seu edital de abertura de vagas para o 1º e 2º semestre de 2011, que disponibilizaria cotas sociais somente para alunos carentes e da rede pública de ensino do Estado do Rio de Janeiro, DISCRIMINANDO OS POBRES DO RESTO DO PAIS.
     Após verificar o ocorrido a EDUCAFRO, apresentou uma representação em 20 de agosto de 2010 à  Procuradoria Geral da União, com sede na capital carioca, argumentando que a UFRJ é uma autarquia federal e não poderia fazer uma proposta de inclusão que causa segregação contra os pobres de outros estados. Isto ofende o princípio federativo. A Educafro avisou ao Reitor, ainda em agosto, sobre este atentado contra os pobres do resto do pais. O reitor e sua assessoria cometeram improbidade administrativa ao não dar atenção à reclamação da Educafro.
Observa-se que o processo de seleção será pelo SISU-MEC, sendo que todos do ricos do país poderão concorrer as vagas de ampla concorrência, mas as cotas (voltadas só para os pobres) seriam somente para os alunos da rede pública, comprovadamente carentes, do Estado do Rio de Janeiro, e por que não incluir os alunos da rede pública de todo o país?
     A Procuradoria Geral da República, acolhendo a reclamação da EDUCAFRO e entendendo haver um equívoco da UFRJ, promoveu uma AÇÃO CIVIL PÚBLICA, requerendo que seja feita uma avaliação imediata sobre a constitucionalidade do ato, bem como requereu que o prazo para a inscrição fosse estendido até o dia 20 de janeiro. O Juiz entendendo o erro da UFRJ determinou que o MEC estendesse o SISU por mais dois dias para todo o pais!!!     CONSEGUIMOS!!!!!
     A Procuradora responsável pela ação, informou que o processo teve seu pedido liminar atendido, para garantir a inclusão de todos os alunos da rede pública de ensino do país, como cotistas em potencial. O número da ação é 20105101022203-3, e foi distribuído para a 14ª. Vara Federal do Rio de Janeiro.
     Ontem, dia 17 de janeiro o MEC acolheu a pressão da Educafro, via caneta do Juiz e aceitou estender as inscrições até quinta, dia 20 de janeiro!

Esta é mais uma vitória do povo organizado!!!! 


Fonte: Lista de Discriminação Racial

Leia materia completa: Educafro abre processo contra UFRJ e MEC e consegue ampliar o prazo do Sisu:Mais uma vitoria dos pobres! - Portal Geledés 






O que é o Sistema de Seleção Unificada (Sisu)?

  • É o sistema informatizado, gerenciado pelo Ministério da Educação, por meio do qual as instituições públicas de educação superior participantes selecionam novos estudantes exclusivamente pela nota obtida no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), realizado em 2010. O processo seletivo do Sisu a ser realizado no primeiro semestre de 2011 selecionará candidatos a vagas para ingresso em cursos no primeiro semestre e, em algumas instituições, também para o segundo semestre de 2011. (Fonte: Ministério da Educação)
SENDO UMA VITÓRIA DO POVO, O MESMO DEVE UTILIZÁ-LO PARA TER ACESSO AO CONHECIMENTO ! NÃO PODEMOS DEIXAR QUE ESSE CONHECIMENTO FIQUE RESTRITO A UMA PEQUENA PARCELA ELITIZADA DA SOCIEDADE !  

MANIFESTO DOS BRANCOS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL.


Ter, 14 de Setembro de 2010 01:22 Educação - Cotas no STF 



Este texto é um manifesto escrito e subscrito por brancos que compõem a comunidade escolar da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ele é uma retumbante admissão pública, por nossa parte, de que vivemos em um contexto de exclusão estrutural de negros e indígenas dos benefícios e espaços de cidadania produzidos por nossa sociedade e onde, ao mesmo tempo, é produzida uma teia de privilégios a nós brancos, que torna completamente desigual e desumana nossa convivência. Somos opressores, exploradores e privilegiados mesmo quando não queremos ser. O racismo não é um "problema dos negros", mas também dos brancos. É pelo reconhecimento destes privilégios que marcam toda nossa existência, mesmo que nós brancos não os enxerguemos cotidianamente, que exigimos a imediata aprovação de Ações afirmativas de Reparação às populações negras e indígenas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
No Brasil vivemos em um estado de racismo estrutural. Já é comprovado que raça é um conceito biologicamente inadmissível, só existe raça humana e pronto. Mas socialmente, nos vemos e construímos nossa realidade diária em cima de concepções raciais. Portanto, raça é uma realidade sociológica. Não é uma questão de que eu ou você sejamos pessoalmente preconceituosos. Mas é só olhar para qualquer pesquisa que veremos como existe um processo de atração e exclusão de pessoas para estes ou aqueles espaços sociais, dependendo de sua cor. Não é à toa que não temos quase médicos negros, embora eles sejam a maioria nas filas dos postos de saúde; que quase não vemos jornalistas negros, mas estes são expostos diariamente em páginas policiais; que não temos quase professores negros, especialmente em posições com melhores salários, e vemos alunos negros apenas em escolas públicas enquanto, na universidade pública quase só encontramos brancos.
A situação dos indígenas não é diferente, quando eles ainda sofrem lutando pelo direito mínimo de ter suas terras e aldeias, mesmo isso lhes é surrupiado pelos brancos. Vamos parar com esta falácia de dizer que não aceitamos cotas raciais na universidade, porque não queremos ser racistas: se vivemos no Brasil, se fomos criados nesta cultura, se construímos nossas vidas dentro deste conjunto de relações onde a raça é um elemento determinante, somos todos racistas! Não fujamos da realidade. Não usemos a falsa desculpa de que não queremos criar divisões entre raças no Brasil. Nossa sociedade poderia ser mais dividida racialmente do que já é hoje?
O estudo de Marcelo Paixão intitulado "Racismo, pobreza e violência", compara o IDH dos brancos e dos negros dentro do Brasil. O IDH tenta medir a qualidade de vida das populações, combinando os três fatores que, por abranger, cada qual, uma imensa variedade de outros, seriam os essenciais para a medição: renda por habitante, escolaridade e expectativa de vida. Na última versão do IDH, de 2002, o Brasil ocupa o 73º lugar entre 173 países avaliados, mesmo possuindo todas as riquezas nacionais e sendo o 11º país mais desenvolvido economicamente no mundo. Porém, entre 1992 e 2001, enquanto em geral o número de pobres ficou 5 milhões menor, o dos pretos e pardos ficou 500 mil maior. [Consideram-se brancos 53,7% dos brasileiros; pretos ou pardos, 44,7%, que chamaremos, hora em diante de negros]. O estudo mostra que Brasil dos brancos seria, na média o 44º do mundo em matéria de desenvolvimento humano, ao passo que o Brasil dos negros estaria no 104º lugar!!!
Nada disso é novidade, porém, para quem aceita viver com os olhos minimamente abertos. Temos que reconhecer que vivemos num sistema estruturalmente racista, que se reproduz em cima de mecanismos constantes de exclusão e exploração dos negros e de privilégios naturalizados aos brancos. Em um sistema racista, pessoas brancas se beneficiam do racismo, mesmo que não tenham intenções de serem racistas. Nós brancos não precisamos enxergar o racismo estrutural porque não sofremos diariamente diversos processos de exclusão e tratamento negativamente diferencial por causa de nossa raça. Nossa raça (e seus privilégios) são tornados invisíveis dia-a-dia. Este sistema de privilégios invisíveis a nós brancos é que nos põe em vantagens a todo instante, por toda nossa vida, em todas as situações, e que destroça qualquer tentativa de pensarmos que estamos onde estamos apenas por méritos pessoais. Que mérito puro pode ter qualquer branco de estar no lugar confortável em que se encontra hoje, mesmo que tenha saído da pobreza, dentro de um sistema que lhe privilegiou apenas por ser branco, ao mesmo tempo em que prejudicou outros tantos apenas por serem negros?
Vamos apresentar uma breve listinha de circunstâncias em nossas vidas que expõem nossos privilégios de brancos e que, embora não percebêssemos, embora os víssemos apenas como relações naturais para nós, por sermos pessoas normais e "de bem", foram decisivas para nos trazer onde estamos (e por não serem vivenciados também por negros e indígenas, seu resultado é fazer com que seja tão desproporcional o número destas populações dentro da UFRGS, por exemplo): 1) Sempre pude estar seguro de que a cor da minha pele não faria as pessoas me tratarem diferentemente na escola, no ônibus, nas lojas, etc; 2) Estou seguro de que a cor da pele dos meus pais nunca os prejudicou em termos das busca ou da manutenção de um emprego; 3) Estou seguro de que a cor da pele dos meus pais nunca fez com que seu salário fosse mais baixo que o de outra pessoa cumprindo sua mesma função; 4) Posso ligar a televisão e ver pessoas de minha raça em grande número e muitas em posições sociais confortáveis e que me dão perspectivas para o futuro; 5) Na escola, aprendi diversas coisas inventadas, descobertas, grandes heróis e grandes obras feitas por pessoas da minha raça; 6) A maior parte do tempo, na escola, estudei sobre a história dos meus antepassados e, por saber de onde eu vim, tenho mais segurança de quem sou e pra onde posso ir; 7) Nunca precisei ouvir que no meu estado não existiam pessoas da minha raça; 8) Nunca tive medo de ser abordado por um policial motivado especialmente pela cor da minha pele; 9) Já fiz coisas erradas e mesmo ilegais por necessidade, e nunca tive medo que minha raça fosse um elemento que reforçasse minha possível condenação; 10) Posso ir numa livraria e perder a conta de quantos escritores de minha raça posso encontrar, retratando minha realidade, assim como em qualquer loja e encontrar diversos produtos que respeitam minha cultura; 11) Nunca sofri com brincadeiras ofensivas por causa de minha raça; 12) Meus pais nunca precisaram me atender para aliviar meu sofrimento por este tipo de "brincadeira"; 13) Sempre tive professores da minha raça; 14) Nunca me senti minoria em termos da minha raça, em nenhuma situação; 15) Todas as pessoas bem sucedidas que eu conheci até hoje eram da mesma raça que eu; 16) Posso falar com a boca cheia e ficar tranqüilo de que ninguém relacionará isso com minha raça; 17) Posso fazer o que eu quiser, errar o quanto quiser, falar o que eu quiser, sem que ninguém ligue isso a minha raça; 18) Nunca, em alguma conversa em grupo, fui forçado a falar em nome de minha raça, carregando nas costas o peso de representar 45% da população brasileira; 19) Sempre pude abrir revistas e jornais, desde minha infância, e estar seguro de ver muitas pessoas parecidas comigo; 20) Sempre estive seguro de que a cor da minha pele não seria um elemento prejudicial a mim em nenhuma entrevista para emprego ou estágio; 21) Se eu declarar que "o que está em jogo é uma questão racial" não serei acusado de estar tentando defender meu interesse pessoal; 22) Se eu precisar de algum tratamento medico tenho convicção de que a cor da minha pele não fará com que meu tratamento sofra dificuldades; 23) Posso fazer minhas atividades seguro de que não experienciarei sentimentos de rejeição a minha raça.
Esta realidade destroça meu mito pessoal de meritocracia. Minha vida não foi o que eu sozinho fiz dela. Muitas portas me foram abertas baseadas na minha raça, assim como fechadas a outras pessoas. A opção de falar ou não em privilégios dos brancos já é um privilegio de brancos. Se o racismo, e os privilégios dos brancos são estruturais, as ações contra o racismo devem ser também estruturais. Racismo não é preconceito: racismo é preconceito mais poder. Se não forçarmos mudanças nas relações e posições de poder em nossa sociedade, estaremos reproduzindo o racismo que recebemos. E agora chegou a hora de a universidade dizer publicamente: vai ou não vai "cortar na própria pele" o racismo que até hoje ajudou a reproduzir, estabelecendo imediatamente Cotas no seu próximo vestibular? Se mantivermos o vestibular "cego às desigualdades raciais" estaremos, na verdade, mantendo nossos olhos fechados para as desigualdades raciais que nós mesmos ajudamos a reproduzir sociedade afora.
Nós, brancos da universidade que assinamos esta carta já nos posicionamos: exigimos cortar em nossa própria pele os privilégios que até hoje nos sustentaram. Cotas na UFRGS já!
Fonte: Sociologia


Leia materia completa: Manifesto dos Brancos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. | Portal Geledés